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Déjà vu é
usualmente pensado como uma impressão de já ter visto ou experimentado
algo antes, que aparentemente está a ser experimentado pela primeira
vez. Se assumimos que a experiência é na verdade uma recordação, então o
déjà vu ocorre provavelmente porque uma experiência original não foi
completamente codificada. Nesse caso parece provável que a situação
presente dispare a recordação de um
fragmento
do passado que se baseia numa experiência real mas de que temos apenas
uma memória vaga. A experiência pode ser perturbadora, principalmente se
a memória está tão fragmentada que não há conexões fortes entre esse
fragmento e outras memórias ou nenhuma conexão consciente pode ser feita
entre a situação actual e a memória implicita. Ou seja, a sensação de já
ter estado lá é muitas vezes devida ao facto de
já
lá ter estado, mas ter esquecido a experiência original porque não
prestou atenção na experiência original. A experiência original pode ter
ocorrido apenas alguns minutos ou segundos antes. Por outro lado, a
experiência de déjà vu pode ser devida a ter visto imagens ou ouvido
relatos vivos muitos anos antes. Essas experiências podem ser parte de
uma fraca recordação de infância, erradamente acreditada como tendo
ocorrido numa vida passada só porque "sabe" que não ocorreu nesta vida.
Contudo, uma pequena reflexão revela que o que é unico no déjà vu não é
algo no passado mas algo no presente, nomeadamente, a estranha
sensação que temos quando experimentamos o déjà vu. Temos muitas
vezes experiências em que a novidade não é clara que nos levam a
levantar questões como, Já li este livro? Isto é um episódio que já vi o
mês passado? Este lugar é-me familiar, será que já cá estive? Mas isto
não é acompanhado de sensações estranhas. Podemos sentir-nos
confundidos, mas a sensação associada a déjà vu não é de confusão mas de
estranheza. Não há nada de estranho acerca de não nos lembrarmos se já
leu um livro antes se tem cinquenta anos e já leu milhares de livros.
Quando isso acontece não se sente estranho. Mas com o déjà vu
sentimo-nos estranhos porque não pensamos que devamos sentir-nos
familiares a essa percepção. |

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