Os barcos que navegam no Rio Douro:
| A história dos barcos que navegam no Douro: |
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O rio Douro foi sempre um rio de difícil navegação dado as regiões montanhosas que atravessa e as variações de caudal nas diferentes estações do ano. Assim se adapta a arquitectura dos barcos às regiões nas quais navegam. Entre o Porto e Crestuma são frequentes os barcos de pá, com fundo estreito de tábuas sobrepostas, bordos altos e bico agressivo adaptados ao troço sem acidentes dignos de nota. É caso do Valboeiro. Entre Crestuma e Entre-os-Rios, onde existem alguns acidentes, o fundo do barco alarga-se, proporcionando melhor maneabilidade e adoptando a espadela. É o caso do Rabão Branco posteriormente, também do Negro. Nesta zona, junto a Pé de Moura, havia, ainda, os "saveiros" com coqueiro e até espadela. De Entre-os-Rios para montante são adoptados barcos de formas ladeiras e boleadas para fazer face aos grandes acidentes de percurso. Nesta zona dominava o tipo "Rabelo". |
| Os barcos Rebelos: |
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O barco Rabelo é um barco de espadela - ramo que governa o barco e está sujeito a um eixo tornel. Possui, ainda, dois remos de cada lado e fundo chato - o sagro - constituído por um número ímpar de tábuas. Tem forma lenticular. Há autores que defendem uma origem Sueva, outros Visigótica ou até Viking. Transportava vinho, lenha, madeira, carvão, fruta, palha, batata e outras mercadorias. A vida a bordo do Rabelo era árdua e trabalhosa, existindo, então, uma espécie de hierarquia de comando. Para um barco de 50 a 60 pipas, a tripulação era constituída por treze pessoas ordenadas do seguinte modo: arrais, feitor da proa, feitor da espadela, braceador, moço, 1º, 2º, 3º e 4º cabresteiro, vinhateiro, ponteador da pá-dos-dois, ponteador da pá-dos-três e ponteador da pá-da-ré. A confecção da comida estava a cargo do moço e do vinhateiro que, também, zelava pelo vinho e pelos víveres da chileira. Grande parte das refeições eram à base do caldo e do peixe pescado pelos próprios além de pão e vinho. Ao longo da navegação, nalgumas regiões, o barco Rabelo tinha que ser puxado à Sirga. Com uma buzina, búzio ou corno, os tripulantes do barco chamavam os bois que os lavradores costumavam alugar para puxar o barco - é a navegação à Sirga. Os perigos de rápidos, pontos ou golas levava os marinheiros a assinalá-los com santos aos quais pediam a protecção. Transportavam, também, por vezes, uma caixa com as "Alminhas" do barco, onde depositavam a sua esmola, passado o perigo de tragédia. Este barco foi dos que mais inspirou os artistas gondomarenses que o reproduziu vezes sem conta em filigrana. O barco Rabelo está definitivamente desaparecido como transportador de vinhos. No entanto podemos, ainda vê-los no Cais de Gaia a fazerem propaganda às Companhias Vinícolas. E já agora, porque não entrarmos num dos barcos adaptados às viagens turísticas rio acima? A viagem enche os olhos e o coração de beleza! |
| O Rabão Branco: |
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Transporta areia, gado, lenha, carqueja, caranguejo. |
| O Rabão Negro: |
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Tinha a tonelagem de 50/60 toneladas ou até mais. Transportava carvão, sobretudo das Minas do Pejão que começaram a laborar em 1917. Os últimos barcos a navegar foram os que transportaram o carvão das Minas do Pejão até à fábrica de briquetes no Esteiro de Campanhã - era a esquadra negra. O Rabão tinha uma tripulação de quatro homens: um arrais com o leme a seu cargo e função de comando; o feitor que substituía o arrais na sua ausência; o cozinheiro e o marinheiro encarregado da cama onde se dormia em conjunto. Normalmente, apresentando uma tonelagem de 50/60 toneladas, nos anos 60 de 1900, para fazer face à concorrência, chegou a atingir 70 e mais. O Rabão embora diferente do Rabelo assemelha-se-lhe pela terminologia das peças. |
| Quem constrói estes barcos: |
| Para construir estes barcos havia artesãos especializados. Hoje,
esta arte está a cair em desuso. No entanto, em Melres, o senhor Manuel
Joaquim Moreira de Sousa, mais conhecido por Nelito do Sr. Albertino,
actualmente com 43 anos, ainda faz Valboeiros ou outro tipo de barcos.
Afirma que esta actividade é financeiramente compensadora, por isso se
admira de não haver quem queira aprendê-la. Talvez , porque hoje tudo é
facilitado, já que ele como aprendiz tinha que ir de casa em casa à
procura de trabalho e nada ganhava com isso. Hoje, tem o seu estaleiro
em Vilarinho, Melres e apesar da tarefa trabalhosa, não tem mãos a
medir.
Nesta arte notabilizou-se um outro artesão, Mestre Arnaldo, falecido já na casa dos oitenta anos. Arnaldo Pereira nasceu em Vilar do Andorinho, Vila Nova de Gaia, a nove de Março de 1911, numa família tradicionalmente construtora de barcos. O bisavô ensinou a arte ao avô e este ao pai que transmite o saber a Arnaldo. Assim, aos treze anos já ajudava o pai na construção de barcos. Com ele ia por Crestuma, Pombal, Lixa, Carvoeiro, Melres e até Entre-os-Rios. Aos dezoito anos construiu o primeiro Valboeiro. Estabeleceu-se em Melres a construir barcos e fez desta arte a sua ocupação até morrer. Participou em inúmeras feiras de artesanato a fim de dar a conhecer os barcos que saíam das suas mãos. |